Conheça a história da fundação da Kimonos Torah!

Em 2017 A Kimonos Torah completa 30 anos e se consolida como uma das empresas com a mais tradicional e completa linha de kimonos para artes marciais do Brasil. E para inaugurar nosso blog, trazemos para vocês uma entrevista com nosso fundador Samuel Malak.

– Sr. Samuel, você pode contar um pouquinho como foi o começo da Torah, 30 anos atrás?

O começo da Torah foi em uma época de crise, eu representava uma outra empresa e eu tive uns problemas internos de entrega de mercadoria e então eu resolvi montar uma fábrica de kimonos para que eu pudesse dar continuidade à venda para minha clientela. Eu não pretendia ser industrial, mas eu montei a fábrica para dar continuidade aquilo que eu tinha me proposto a fazer que era expandir essa indústria colocando a mercadoria em todo o Brasil. Depois disso fomos crescendo devagar, tivemos alguns problemas iniciais mas compramos um imóvel que é este onde a fábrica está instalada há 30 anos. Trabalhamos com o pé no chão, sempre tentando fazer da empresa um negócio familiar. Hoje cuido apenas da fábrica e a parte administrativa ficou a cargo dos filhos.

– Quando o Sr. montou a fábrica como foi essa questão de aprender todas as etapas do processo de fabricação?

A fabricação sofreu diversas mudanças no processo de industrialização. No começo uma costureira fazia uma calça inteira, uma outra fazia o paletó, então não era como hoje onde existe uma linha de produção. Antigamente a produção era pequena e lenta. E com o tempo isso tudo foi mudando. Agora cada costureira faz uma parte do kimono, então quando ele passa pela mão de todas, que chamamos de células, ele já sai inteiro pronto para ser embalado. E vamos nos modernizando e investindo cada vez mais, como agora que temos uma máquina de bordar. Existem mais coisas que podemos fazer pela frente e vamos chegar lá!

– Qual foi o maior desafio nesses 30 anos de Torah?

O desafio maior na verdade é o país. As indústrias, todas elas, tenho certeza que estão passando por uma fase difícil. Para uma indústria se manter ela precisa ter uma estrutura Vemos muitos problemas principalmente quando você depende de banco, pois seus juros são muito altos. Então se você não tiver uma estrutura financeira para se manter sem precisar recorrer aos bancos fica bem difícil. A lucratividade já é pequena, você já trabalha com um percentual muito baixo e isso faz com que você não possa ter uma despesa bancária. Infelizmente a situação do nosso país cada vez piora mais. Mas temos esperança, eu acredito que o Brasil consegue sair dessa.

– E qual seria sua projeção para mais 30 anos?

Eu não tenho mais idade pra isso (risos). Já estou com 83 anos (risos). O segredo é trabalhar.

– Tem alguém da família que pratica arte marcial?

Não. A Júlia, minha neta, chegou a fazer mas não deu continuidade. Assim como meus netos chegaram a começar mas também pararam. O começo tinha aquele incentivo, a facilidade do kimono, mas todos eles pararam.

– Sobre os projetos sociais que a Torah apoia, como vocês reagem quando recebem fotos das doações, o carinho dos jovens, das ongs e institutos?

É muito gratificante. A gente recebe os e-mails solicitando as doações e passamos para o setor de marketing para que ele análise. Os kimonos que possuem alguns pequenos defeitos, como uma costura que saiu torta, que não podemos colocar na loja para venda, aí separamos eles para doação. A gente tenta distribuir para todos que precisam e os que recebem mandam fotos, agradecem.

– O Sr dá palpite no estilo dos kimonos? Nas etiquetas que recentemente mudaram de formato?

As novidades são só apresentadas pra mim (risos). Às vezes eu falo alguma coisa, dou uma sugestão. Mas eu gosto de examinar a qualidade dos tecidos, ver se a trama e a lã está boa.

– Nesses 30 anos de Torah tem alguma situação peculiar, algum fato engraçado ou curiosidade que você destacaria?

Teve uma vez em que o Aurélio Miguel foi convidado para um prograva de TV na Globo e coincidentemente ele estava aqui na fábrica no dia e disse pra gente: “me arranja uns kimonos aí que eu quero levar pra Globo”. Aí arranjamos quase um saco de kimonos para ele levar. E quando ele entrou no programa ele começou a jogar kimono pra plateia e filmaram as pessoas abrindo os kimonos com a logo da Torah. Então o que marcou foi que acabamos aparecendo em rede nacional, em uma mídia muito grande, de uma forma bem inusitada.

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